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HPV - Papiloma Vírus Humano, Professora Doutora Carmo Ornelas
Nota sobre dados epidemiológicos acerca do
Carcinoma do Colo do Útero – Vírus do Papiloma Humano
por : Professora Doutora Carmo Ornelas (Responsável pelo Laboratório de Virologia do I.P.O.F.G.)

O agente etiológico do carcinoma do colo do útero é o Vírus do Papiloma Humano (HPV), isto é, a infecção por este vírus é condição necessária para o desenvolvimento deste carcinoma. 

Digo infecção, porque não basta que o Vírus seja detectado, é preciso que se verifique a persistência da infecção viral. 

Em cerca de 15% das mulheres nas quais são detectados HPVs, nunca se desenvolvem carcinomas. 

Em Portugal o carcinoma do colo ou da cérvix é o tumor maligno ginecológico mais frequente exceptuando o carcinoma da mama. 

O carcinoma do colo é o segundo mais comum do mundo, sendo o primeiro nos países em vias de desenvolvimento. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, há anualmente cerca de 500.000 novos casos em todo o mundo, com cerca de 230.000 a 250.000 mortes, 80% dos quais em países em vias de desenvolvimento. Na Europa a incidência é de 25.000 novos casos por ano. 

Em Portugal, no registo oncológico entre 1996 e 1998, a incidência do carcinoma do colo foi de 17 em cada 100.000 mulheres, contra 10,5 na União Europeia. 

A distribuição geográfica padronizada de mortalidade atingiu os seguintes valores:

Algarve                                      – 8,6 / 100.000

Açores                                      – 7,0 / 100.000

Lisboa e Vale do Tejo                  – 6,4 / 100.000

A média em Portugal é de 5,9 contra 4,1 na União Europeia por cada 100.000 mulheres.

A idade média de aparecimento do carcinoma do colo é de 52 anos. Em Portugal, no ano de 2.000 obtivemos uma curva bifásica com máximos entre 35 – 39 anos (136 casos) e 45 – 49 (117 casos). Mas atenção, a maior parte das infecções até aos 35 anos são transitórias. As infecções podem atingir 70% dos jovens com menos de 30 anos.

O Vírus do Papiloma Humano provoca a maior parte das vezes lesões benignas: verrugas da pele, condilomas ano-genitais e papiloma da laringe, as quais regridem espontaneamente ou após tratamento. Só ocasionalmente provocam lesões displásicas que progridem para cancro.

Assim, perante infecções clínicas, subclínicas e latentes, é aconselhável cientificamente, detectar o vírus, saber se o tipo presente é de alto ou baixo risco e saber também se há ou não persistência viral. 
 

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